Mistérios do Cáucaso: conheça os monastérios armênios

Continuando nossa série de posts sobre a Ásia Central e o Cáucaso, o tema de hoje são os monastérios armênios. Sabe aquele ditado que diz que não se pode ir a Roma e não ver o papa? Pois então, visitar a Armênia e não conhecer um ou mais de seus monastérios é a mesma coisa.

 Mistérios do Cáucaso: conheça os monastérios armênios

Esta região é cheia de nuances culturais e históricas que remontam, inclusive, aos tempos bíblicos. Ao contrário do que muitos pensam, não foi o Império Romano o primeiro a adotar o cristianismo, em 380 d.C, mas sim, a Armênia, ainda em 301 d.C. Nessa época, o Cáucaso era constantemente atacado por exércitos de diversos impérios, incluindo o mongol, russo, persa e otomano que perseguiam, sobretudo, os cristãos.

Para fugir destes ataques, a única saída encontrada pelos monges foi a construção de monastérios em lugares de difícil acesso. A medida deu tão certo e as construções, ainda muito bem preservadas, são de uma magnitude que impressiona. E nós, da Raidho, separamos uma lista dos principais. Confira:

Monastério de Khor Virap

 Mistérios do Cáucaso: conheça os monastérios armênios

 

Talvez, o mais importante de todos, já que foi ali que o padroeiro da religião, São Gregório Iluminador, ficou preso durante 13 anos, segundo a lenda, entre cobras (khor) e escorpiões (virap). Além disso, o local guarda outra importância porque está localizado próximo à fronteira com a Turquia e, em seu horizonte, pode-se ver o Monte Ararate, montanha símbolo da Armênia e onde, supostamente, Noé tenha aportado sua arca após o fim do dilúvio.

Mosteiro Novarank

 Mistérios do Cáucaso: conheça os monastérios armênios

 

Novarank em armênio significa “novo mosteiro”. Construído no século 13, é um complexo localizado a 122 quilômetros da capital, Yerevan. Para chegar até lá, é preciso passar por uma estrada localizada em um estreito desfiladeiro margeada pelo rio Amaghu. O mosteiro possui duas igrejas, Surb Karapet e Surb Astvatsatsin ou “Santa Madre de Deus”, na língua local. Esta é a principal atração e possui dois andares cujo acesso ao segundo se dá por meio de uma estreita escadaria de pedra que se projeta para fora da face do prédio.

Mosteiro de Tatev e o mais longo teleférico do mundo

Localizado no sul do país, no vilarejo Halidzor, a cerca de 20 quilômetros da cidade de Goris, este mosteiro fica no alto de um penhasco e é uma atração à parte não apenas pela edificação em si, mas pela forma como se chega até lá: de teleférico. O mais longo teleférico do mundo.

Para chegar ao mosteiro, é possível escolher entre subir por uma estrada estreita e muito sinuosa ou usar uma das maiores atrações turísticas da Armênia: o Wings of Tatev, registrado no Guinness Book, o Livro dos Recordes, como o “mais longo teleférico sem paradas do mundo”, com 5,7 mil metros de extensão e chegando em seu ponto mais alto a 320 quilômetros acima do vale do Rio Votan.

Para mais informações, visite o site do Wings of Tatev (linkar www.tatever.am/en ).

O mosteiro

Não apenas a construção em si, como também seu entorno, incluindo o vale do Rio Vorotan, é considerado Patrimônio Mundial pela Unesco desde 1995. Além da vista incrível, o local deve ser obrigatoriamente incluído na lista de destinos a serem visitados na Armênia também por conta de sua importância na história para o país.

A primeira igreja do Mosteiro de Tatev foi construída no século IX e entre os séculos XIV e XV o mosteiro abrigou uma das primeiras e mais importantes universidades da Armênia medieval, com cerca de 600 monges morando ali, no período áureo. Antes disso, no lugar desta importante construção havia um templo pagão. Hoje, restam somente os resquícios da universidade, mas o complexo abriga, ainda, três igrejas, bibliotecas, torres, dormitório dos monges, além do mausoléu de São Gregório de Tatev.

O complexo também era um excelente posto de vigia contra inimigos que tentavam invadir a região. Uma das formas de se perceber a aproximação dos inimigos era por meio do a Gazavan, uma estrutura de pedra de oito metros de altura e várias toneladas em formato de octaedro, cuja sensibilidade é capaz de detectar grandes movimentações de tropas e também tremores de terra. O mecanismo é formado por um intrincado sistema de pesos e contrapesos anexados a sua parte inferior que, ao menor distúrbio, passa a oscilar freneticamente de um lado para o outro.

Monastério de Sevanavank

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Um dos pontos mais visitados da Armênia, o de Mosteiro Negro ou Mosteiro dos Santos Apóstolos, está localizado em uma península próxima ao Lago Sevan, um dos maiores lagos de altitude do mundo e não muito distante da cidade de mesmo nome. Uma curiosidade é que, inicialmente, a construção se localizava em uma ilha que se transformou em península após o nível do lago baixar 20 metros, por conta de um processo de drenagem.

O mosteiro foi fundado no ano de 874, pela princesa Marian Bagratuni. O complexo passou por inúmeras destruições e, atualmente, restam apenas duas igrejas: a dos Santos Apóstolos (Surp Arakelots) e Santa Mãe de Deus (Surp Astvatsatsin), que fazem parte do seminário adjacente, a Academia Teológica Vazkeniana.

Monastério Geghard

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O Monastério Geghard está localizado na província de Kotayk. Fundado no século IV, por São Gregório, o Iluminador, em uma caverna onde se situava uma fonte sagrada e foi inicialmente chamado de Ayrivank, que significa "Mosteiro da Caverna". O nome atual Geghard ou, de forma mais completa, Geghardavank, significa "o Mosteiro da Lança", denominação que provém da crença de que a lança que feriu Jesus durante a crucificação foi trazida para a Armênia pelo apóstolo São Judas Tadeu, onde foi guardada juntamente com outras relíquias, estando atualmente exposta na catedral de Echmiadzin.

Tanto o mosteiro quanto os desfiladeiros que o rodeiam e que fazem parte dos cânions do rio Azat e estão incluídos na zona definida como Patrimônio Mundial pela Unesco desde 2000. Algumas das igrejas localizadas no complexo estão totalmente dentro dos rochedos, outras são pouco mais do que simples cavernas, existindo ainda outras que são estruturas bastante elaboradas.

Entre os séculos IV e XIII, o mosteiro foi sendo ampliado e passou por várias modificações, entre elas, a construção da igreja principal, Kathoghikè, em 1215. O local também sofreu com terremotos e ataques ao longo de sua história, especialmente uma invasão árabe em 923. No entanto, seu estado de conservação é impressionante.

Um dos passeios bastante comuns por quem passa pelo complexo de Geghard é visitar o vizinho templo de Garni, uma estrutura similar ao Partenon situado não muito longe dali.

Não perca o próximo post desta série sobre a Ásia Central e o Cáucaso, em que falaremos sobre o contraste do antigo e o moderno em Baku, no Azerbaijão. Enquanto isso, vá preparando as malas.

 

Lucila Nedelciu
Em busca de realizar um sonho, Lucila se tornou empresária aos 28 anos quando fundou a Raidho Viagens em 1990, uma operadora especializada em turismo para lugares exóticos e roteiros de experiência. Formada em Letras e pós-graduada em Marketing, já viajou para mais de 70 países, sendo 15 visitas à Índia, destino pelo qual é apaixonada e considerada uma autoridade. Devido a isso, é perita em roteiros incomuns para conhecer culturas e filosofias milenares e os costumes de cada povo, visando o enriquecimento interior junto às belezas dos locais.
Inovadora e conhecida por lançar tendências no mercado, oferece junto à Raidho, excelência na qualidade de serviços e tem orgulho em ter conquistado o prêmio de melhor Operadora da América Latina em viagens para a Índia, pelo governo, por três anos consecutivos.